Notas e apontamentos ao longo da vida, na minha actividade profissional e não só.
Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011
TURISMO HOJE

Muito se fala mais uma vez, pois a memória não pode ser assim tão curta, em comprar ‘português’, só que isso deveria ser sempre um hábito tão natural como respirar, deveria ser uma preocupação constante de governantes, oposições, produtores e consumidores.

Comprar produtos de primeira necessidade localmente, a nível regional, não só incentiva a produção como reduz custos indiretos como combustiveis em deslocações, assim como alteraria radicalmente a estrutura de produção e de comercialização no país.

Em todas as atividades há quem se lembre destas campanhas só quando é preciso, tal como das outras vezes em que falharam mercados estrangeiros, só que todos querem é gastar pouco e ganhar muito, porque exportar é que é bom e logo que há uma retoma internacional, logo se esquecem do próprio mercado, o tal que deveriam sempre tratar com todo o carinho porque esse estará sempre cá, é o nosso.

Tudo isto tem influência numa indústria importantíssima e que estava a ser fundamental para a riqueza do país, o Turismo, e, que o deve continuar a ser.

Só assistir aos chamados telejornais provoca uma dificuldade acrescida nas opções dos mercados na escolha do destino de férias a optar e até das viagens de trabalho que são necessárias realizar.

Cada vez mais, em termos de férias, são importantes os mercados internos, como sempre aconteceu em situações de crise, quer económica ou de outro teor como ameaças terroristas ou até de guerras, e, mesmo de catástofres naturais.

A localização desses acontecimentos mesmo que muito localizados em determinadas regiões são ‘olhados’ no mapa abrangendo numa visualização mais ampla um espaço maior, tendo por limites muito mais, mas mesmo mais, quilómetros do que na realidade acontece, podendo dar-se como exemplo, em excesso, o mercado americano que havendo uma guerra no Médio Oriente reduz a procura ou deixa mesmo de procurar a Europa como destino.

Atualmente perante a crise económico-social e política que atravessamos, com a questão financeira a pesar, mais as convulsões sociais a que temos assistido um pouco por todo o mundo e mais a falta de segurança generalizada nos destinos tradicionais de Turismo no que se refere ao crime comum, esta questão levanta-se como nunca e deve preocupar todos os agentes interessados na indústria, devendo prevalecer nos tempos mais próximos e longíquos, quero dizer, que não fique esquecido e sempre fique registado, até porque esta crise não será como as outras.

Vejo com bons olhos os investimentos no interior do país de criação de estruturas em praias fluviais e do aparecimento de praias artificiais proporcionando uma diversificação de oferta que não tem paralelo e considero vir a ter um excelente retorno a muito curto, médio e longo prazo.

Este é um exemplo, como também o desenvolvimento do parque hoteleiro espalhado um pouco por todo o território, temos assim um destino que não sendo comparável a outros com os quais tem sido concorrente, tendo por consequência a redução de receitas e degradação de espaços e natuareza, e, até a falta de segurança, no fundo temos uma oferta completa.

Não vou estar agora aqui a inumerar a série de projetos concretizados e planeados pelos imaginativos e criativos empresários da indústria, que na maioria parece terem abandonado a mega construção de blocos ‘prisionais’ à beira da praia, estragando o que a natureza nos concedeu, a vida dos residentes, as férias dos que procuravam alguma qualidade e deixavam realmente receita, uma verdadeira mais valia nessa zona, em troca de ‘lagostas’ que compram caixas de cerveja no supermercado e além dos escaldões exteriores, levavam os escaldões interiores.

Mas temos lugar para todos e para todos temos estruturas para receber.  

A nova aposta na diversificação de produtos da oferta de Portugal como destino turístico vem em consonância com o ponto de vista que aqui me permito trazer ao escrever sobre a questão da importância dos mercados internos.  

Esta situação válida em todo o mundo, naturalmente, mas que a nós agora é o nosso que interessa, sendo este um mercado pequeno para as potencialidades e as realidades de oferta que já temos, como sempre é nossa obrigatoriedade pensá-lo abrangendo o mercado Ibérico… e mais ainda.

O que nós devemos considerar mercado interno terá que ser mais vasto que o mercado Ibérico, não sendo tão difícil como isso tal fato acontecer.

Vejamos, por exemplo, os descendentes de emigrantes de tempos idos que se integraram nas sociedades onde vivem, nos países europeus para onde os seus pais e até avós foram, criando hábitos de férias tal como os nascidos nessas comunidades e que perderam, entretanto, a tradição da regular deslocação nas férias à terra que já não é a deles, visitando outras áreas do globo mais em destaque nesse mercado.

Não será este um nicho de mercado interessante de analisar?

Não o poderemos considerar como um apêndice de mercado interno?

E os amigos que têm, antigos colegas de escola, vizinhos, amigos, colegas de trabalho? Não será esta uma forma de com um custo reduzido em promoção e bem mais natural e humano de trazer turistas a Portugal?

Mercados com fortes comunidades de emigrantes portugueses, principalmente na Europa porque essa proximidade proporciona um melhor conhecimento entre as comunidades o que dará uma sensação de maior segurança, e, que é real, porque as caraterísticas da personalidade hospitaleira das nossas gentes está bem patente em todo o lado, o conhecimento de tradições, gastronomia e até o que se transmite verbalmente, e, quem melhor que um emigrante para falar da sua terra a um estrangeiro, com todo o orgulho e eloquência.

Investir nas festas locais das comunidades emigrantes e atrair os autóctones é um passo interessante e que ganha, provavelmente, uma dimensão humana e diferente de qualquer outra forma de marketing com resultados diretos muito mais eficazes e mais uma vez, repito, com custos muito mais reduzidos.

Na hora de pensar nas férias, seja em que mercado for, a primeira opção, se possível será sempre ‘entre portas’, mas sabemos que nesta Europa esta expressão pode e deve ser mais ampla que simplesmente o próprio país, por vários motivos, e, conhecendo já gentes, usos e costumes de um destino, que já apresenta uma excelente oferta, isso será um fator determinante na decisão final.

O nosso mercado interno é a Europa e temos vantagens em termos de oferta, diversificação e apesar de tudo segurança pelo país todo, e, para a promover uma proximidade humana única com os vários mercados.

Temos este manancial humano riquíssimo que terá todo o orgulho em poder colaborar com o seu país de origem, nesta e noutras atividades de exportação, já que também eles sentem as dificuldades desta crise que é global e em que a maioria deseja ser útil, seja de que forma for todos queremos participar numa retoma que se quer para um mundo melhor e mais justo, que seja diferente daquele que temos tido até agora.  

Tudo isto porque viajar pelo mundo nos dias que correm é uma verdadeira aventura a que eu não me furtava, como muitos, há poucos anos atrás, ao contrário do que agora acontece pelos riscos elevados que isso acarreta.

Durante muitos mais anos, vale a pena pensar nisto… é só um ponto de vista!


sinto-me: com força!
tou a ouvir: Oh gente da minha terra.Mariza
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publicado por FV às 17:42
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De carlos cardoso luis a 19 de Setembro de 2011 às 20:26
Fui toda a vida Agente de Viagens e por acaso colega do Fernando Venâncio durante alguns anos. Nos meus 40 anos de profissão conheci 35 Países, gostando mais de uns menos de outros, como é natural.Sou também um defensor do Turismo interno e este ano de 1 a 16 de Setembro fiz com a minha Família ( meus pais com 88 e 83) minha mulher e meu filho mais velho com 35, uma semana em Entre-os Rios, outra semana em Vila Ruiva como base tendo no total andado cerca de 1600km . Saliento Guimarães,Trancoso , Belmonte, Linhares da Beira .Houve duas situações curiosas: a visita ao Castro de Mozinho (bem recebidos por uma jovem profissional que nos deu uma explicação digna de elogio. A outra na Igreja de Paços de Sousa onde um professor nos deu uma lição da Rota Românica e concretamente do local onde estávamos, que nos deixou pasmados.Perante a crise que estamos, julgo não ser difícil dar prioridade ás Férias e aos produtos Portugueses. Eu vou dar o meu contributo em ambas as áreas. Espero que a maioria dos Portugueses optem por fazer o mesmo. Assim contribuirão para a retoma sem grandes sacrifícios.


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